domingo, 27 de agosto de 2017

Na madrugada de Outono



Estava sentada na estação de comboio sempre a mesma a hora trazia comigo um livro, um café quente e um pouco de esperança.
Enquanto aguardava a hora do meu comboio bebia o meu café e observava as pessoas á minha volta, sonhava um pouco e voltava a olhar para os costumes.
No frio da madrugada aconchegava cada vez mais á minha camisola de lã herdada da minha avó e no silêncio observava os tons de azul do céu misturados com alguns tons de rosa que pareciam pequenas perólas sobre os meus olhos.
As beatas de cigarros deixavam marcas no chão ainda meio acesos o fumo desvanecia com a geada e parecia que juntos dançavam uma valsa.
Enquanto o nascer do sol espreitava a minha pele de vez em quando, eu lançava olhares sobre o meu  livro, desfolhava e sonhava com um amor como aquele livro.
Com o tempo os meus olhos deixaram de fazer parte do meu livro e de poder ver o nascer do sol, mas de os lábios gostosos de um rapaz qualquer eu nunca pude beijar, que não irei poder ouvir como suava a sua voz no meu colchão antes de dormir.
Nunca pude abraçá-lo e poder partilhar momentos bonitos como ouvirmos o bater das ondas do mar na madeira quase gasta de uma casa que nós construímos e dessa forma, chamamos de lar.
Estou longe de saber como seria poder vê-lo brincar com os nossos filhos debaixo de um Alpendre, sou mesmo danada como a minha mente já consegue imaginar tal coisa.
Queria que ele chegasse perto do meu vestido, agarrasse as minhas ancas, amasse os meus ombros radiantes que esperam por um carinho e pedisse para amá-lo agora , sem um único arrependimento.
Como é bom ter alguém que nos faça sentir bem nem que seja em pensamento?
No seu olhar gigante e cheio de cor como os jardins que percorro antes de chegar a casa penso como poderia retirar a sua roupa e esquecer o que não importa.
Mesmo que não veja este homem no altar por receio de tudo correr mal procurarei ser sincera e dizer-lhe que amo-o de mais para desperdiçar cada momento em que poderei tê-lo para poder senti-lo desde os seus ouvidos até aos seus pés.
Espero poder continuar a vê-lo todos os dias e mesmo não podendo chegar até ele poderei fantasiar, sonhar e fazer  todos os dias uma história na minha mente como seria invadir a sua alma.
Na imensidão da minha mente, ouvia uma voz avisando que o meu comboio aproximava-se e aí eu sabia que ao entrar naquele comboio carregaria mais um desejo não realizado por mera empatia minha.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Deixa as tuas exigências de lado

Sempre achei-te meigo, simpático, mas demasiado estranho.
Percebia que nesses teus olhos morava uma perdição concebida a uma espécie de desejo, segredo pouco partilhado.
A forma como fazes sentir mulher dá-me um certo orgulho de colocar uma coroa e dizer parabéns.
Aprendemos a trocar poucas palavras sempre preferimos trocar ideias de corpos e lábios interferindo a mente um do outro.
Ninguém sabe o que se passa entre nós, mas desde sempre soubemos tocar um no outro não só usando um mero corpo, mas a alma, o calor do nascer do sol sobre nós.
A nossa loucura abraça,luta e sabe como foder as ideias especificando que somos tarados, ilusionistas e carentes de passar horas alimentando a tesão misturada com adrenalina.
"Não aguento" é tudo isso que consigo dizer.
Não aguento imaginar as coisas que faria contigo.
Não aguento saber que estou tão perto sem poder sequer tocar, sim eu tenho de aprender a escolher o momento sem parecer maníaca.
Não aguento ter esta roupa colada ao meu corpo porque quando eu vim nua ao mundo foi para poder conhecer-te assim também.
Tenho certeza que no nosso mundo possível e impossível existe um pouco de compatibilidade entre pazeres e seriedade.
Existe nós e a tua boca no meu ouvido chamando o meu nome fazendo um nome soar como a melodia que formamos com os nossos sons de prazer.
Prazer que tira-me do sério e faz rever cada momento de movimento e sintonia.
Assim vivo obcecada com a forma como apareceste na vida dando um novo sentido.
Todas as vezes que entraste no meu carro e deixei-te em casa, o teu cheiro ficava entranhado nos meus estofes.
Um aroma tão suave como as tuas mãos que acarinhavam enquanto os vidros ficavam embaciados e professavámos promessas de amor.
Não tenho receio de perder-te, tenho medo de nunca mais poder tapar as minhas curvas com os lençóis onde abrigamos mundos e fundos.
Sem exigirmos muito do mundo um do outro vamos ficar aqui quietinhos para nunca perdermos essa posição perfeita que instalou-se na nossa relação.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

És a composição perfeita para mim



A saudade parece ser um sentimento que grita mais alto entre nós, é capaz de deixar-me numa condição perigosa de não controlar o que eu sinto e o que eu quero.
Surgiste na minha vida como aquele sol quente no final de uma tarde que ilumina todas as minhas vontades, os meus sonhos e os meus afazeres.
Acontece que eu só consigo imaginar deitada contigo num campo aberto cheio de montanhas e cascatas escutando músicas que harmonizam mais o tempo que temos juntos.
Amo observar o teu cabelo como ele se compõe com a luz natural, o vento e com o teu lindo sorriso que deixa-me desperta para o resto do dia e faz acreditar que é tão bom amar-te assim.
Quando menos espero abres os teus braços para consolar toda a minha alma e no meio dessa paz eu escuto nos meus ouvidos algo que estremeceu com todos os pensamentos, e levou a minha adrenalina a uma outra escala,
Tu simplesmente disseste :" Eu tive tantas saudades tuas", se pudesse chorar de tanta alegria eu faria, mas decidi sorrir até não poder mais porque a composição dessa frase trouxe-me alegria que era tudo o que eu precisava.
Eu sempre admirei esses pequenos gestos e faço sempre a questão de terem importância devida para mim porque é disso que eu precisava para livrar-me de todo ódio e poder retornar a minha alegria.
Por ti estarei disposta a perder todo o tempo do mundo para poder ter uma vida mais valiosa, poder colocar memórias tuas na minha escrita e arranjar-te o lugar mais quentinho no meu coração.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

As malas á porta de casa

Discutimos de novo.
Antes de fechar a porta agarrei o meu telemóvel, as chaves e levei comigo a coragem de nunca mais entrar por aquela porta.
Apenas levei as chaves caso decidisse voltar.
Cada frase inacabada rasgava-me as entranhas e fazia ter o desejo de apagar tudo da minha mente, ouvir o som da tua voz furava-me os tímpanos e tudo o que eu queria era deixar de ouvi-la.
Eu não estava feliz, eu estava a deixar a infelicidade engolir-me até deixar de ter os brilhos dos meus olhos, a única coisa que restava em mim.
Lá estava eu sozinha como todas a ouvir The National, música melancólica que faziam lembrar um pouco da minha infância e rimavam com tudo o que sentia naquele instante.
Nesse instante, o sabor do café quente com três colheres de açúcar parecia ser mais amargo do que o normal.
Pensava na hipótese de esse sabor amargo caso beijasses a minha boca e fizesses o dia amanhecer e acordar junto do teu corpo e aceitar que não irás realizar as minhas expectativas.
Sempre estiveste habituado a tomar vários shots de orgulho por pensares que serias mais forte dessa forma.
Eu pensava que encaixava dentro das prioridades da tua vida, mas eu simplesmente era uma mancha no retrato perfeito.
Continuo fora de casa carregando as minhas lágrimas e a minha vontade de fazer silêncio.
Num dia de sol passou a chover talvez porque o meu sentimento foi capaz de alterar a meteorologia e mexer com todos os sinais cosmícos entre nós. 
Corri para casa o mais rápido que podia, o meu cabelo estava molhado, corri tanto para ter-te de volta.
Entrei em casa chamei por ti, mas invés de ouvir a tua voz para além dos salpicos de chuva naquela janela que decoramos a pouco tempo com plantas e alguns quadros, encontrei um bilhete e as minhas malas todas feitas.
Naquele dia, eu soube que o meu lugar não era mais ali e tomara que tivesse descoberto isso antes...



Imagem retirada do Tumblr

sábado, 5 de agosto de 2017

Este é o meu compromisso





Enquanto tenho alguém para chamar de vida irei arranjar uma caixa, colocar um laço e andar com ele no meu bolso das calças.
Aquelas calças de ganga lavadas bem desgastadas que eu gostava de vestir nos nossos primeiros encontros desde que conheci os vestidos, mas mesmo assim não deixarei de usá-las.
Entrei neste compromisso com os teus abraços, com o teu beijo gostoso e ao mesmo tempo delicado que dá vontade de não escovar mais os dentes como se o beijo morasse na minha boca para todo o sempre.
Por vezes gostava de dar-te a minha mente para saberes os meus verdadeiros pensamentos e gostava de dar-te os meus olhos para ficares a saber o que realmente eu vejo.
Eu vejo a minha vida feliz com a pessoa mais rara e pura.
Vivo saboreando os meus lábios só de pensar nas conversas que já tivemos juntos e nas frases que encontrei em livros para poder dedicar.
Pior de tudo é sonhar contigo por poder estar contigo, sentir-te tocar a minha silhueta, sentir a tua mão ligeiramente em todas as minhas curvas, começar a sentir aquela apromixação como se fossêmos dançar juntos e começo a perceber que os nossos corpos combinam um com o outro.
E no fundo sempre fomos bons amantes e acabamos por conseguir romantizar tudo o que gira á nossa volta.




quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A vida é uma pregadora de partidas

Durante o nosso percurso na vida conquistamos e alcançamos várias metas e sempre continuamos a lutar para que tudo dê certo e ás vezes colocamos a nossa felicidade no topo dessas coisas que queremos alcançar. 
Chegamos ao topo, alcançamos, festejamos, a nossa felicidade parece que tudo estagna aí e procuramos por algo novo.
Parece triste, mas é o que nós fazemos sem darmos conta.
Esquecemos que a verdadeira felicidade está em fazer-nos outras pessoas felizes e dar um bocado de nós próprios sem querer nada em troca.
Para mim essa é a verdadeira definição de felicidade, sou feliz nessa simplicidade de fazer o bem e não colocar apenas em coisas porque eu tenho notado que quando alcanço "coisas" acabo por ficar na mesma.
Hoje eu estou a escrever sobre isto porque estou mesmo muito triste, eu tenho uma pessoa muito importante para mim hospitalizada precisando de uma transfusão de sangue, e eu estou muito longe dela (do outro lado do continente).
Tenho o meu coração nas mãos e estou mesmo muito perdida, mas a única coisa que consigo pensar é que desde que a conheço como minha prima sempre fomos muito unidas, sempre pensamos em sermos felizes juntas e sempre tivemos tudo interligado como o olhar e os nossos pensamentos.
Ela vivia em Portugal, mas com o trabalho passou a passar mais tempo a voar do que em Terra e sempre que ela vinha a Portugal, eu juro que largava tudo o que tinha planeado fazia as malas e ia o mais rápido possível ficar perto dela porque ela sempre foi como uma irmã para mim.
No pior dia da minha vida que foi quando a minha mãe faleceu, a minha prima foi das primeiras pessoas com quem falei antes de eu saber exactamente o que tinha acontecido e ela estava de novo do outro lado do mundo a gaguejar sem saber como haveria de dar a notícia porque pensava que eu sabia e quando penso nisso fico arrepiada porque senti o meu corpo todo pesado como se fosse cair, e assim que falei com a minha tia para saber como ela estava senti novamente isso.
Queria encontrar todas as soluções possíveis para ela recuperar e ficar bem de novo e poder dar aqueles abraços demorados sempre que nos vemos , gritarmos e rirmos que nem umas histéricas.
Por mais que queira entrar em paz com o meu corpo e pensar que vai correr bem, tenho medo!
Tento colocar na minha mente que ela foi a pessoa que trouxe-me mais felicidade em toda a minha vida sem nunca pedir-me nada em troca, esse sentimento é incomparável e espero que ela fique bem e possa dizer-lhe isso mesmo sabendo que ela sabe disso.